Feliz Natal ou Feliz Solstício?

Aqui, “pros” lados do noroeste paulista onde eu moro aprendermos que: “Natal” é a comemoração do nascimento do menino Jesus, figura central do Cristianismo. Porém, a Igreja Católica só criou esse acontecimento no ano de 350 DC (depois de cristo). Mas, as comemorações do dia 25 de dezembro, já acontece há muito mais tempo que isso!

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Natal, ao pé da letra, significa “nascimento” ou o local onde alguma pessoa nasceu.

A comemoração por sua parte é uma adaptação da festa pagã do Solstício, tão antiga quanto a civilização. Essa comemoração tem (tinha) um enrredo bem prático: celebrar a noite mais longa do ano no hemisfério norte que acontece no final de dezembro.

É o ponto de virada das trevas para luz e o renascimento do Sol.

Justificavam os antigos pagãos com teorias de um tempo em que, o homem, deixava de ser caçador e começava a dominar a agricultura.

Na Mesopotâmia, a celebração durava 12 dias. Já os gregos, aproveitavam para cultuar Dionísio o Deus do vinho e da vida mansa, enquanto os egípcios, comemoravam a passagem do Deus Osíris para o mundo dos mortos.

Na China, as homenagens eram (e ainda são) para o símbolo do Yin-Yang, que representa a harmonia da natureza, enquanto povos antigos da Grã-Bretanha comemoravam a data em volta de Stonehenge, um monumento que começou a ser erguido em 3100 AC e era usado para marcar a trajetória do Sol ao longo do ano.

Que festança hein? Porém, hoje em dia, a grande festa do Natal é Cristã. E não dá para dizer ao certo como eram os primeiros “Natais Cristãos”, mas é fato que os fiéis de Roma queriam arranjar algo para fazer frente às comemorações do “Solstício” e o historiador cristão, Sextus Julius, teve a sacada: cravou o aniversário de Jesus no dia 25 de dezembro, data do nascimento do “Deus Sol Mitra”. A Igreja aceitou a proposta e a partir do século IV, o Festival do Sol começou a mudar de homenageado associando Jesus à forma da luz que traria a salvação para a humanidade.

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Já o Papai Noel se tornou o símbolo do consumo. Ele não existe, mas já existiu.
O Bom velhinho era na verdade um santo multiuso e um tanto quanto estranho: Nicolau de Myra foi um bispo ricaço do século IV que gostava de ajudar pessoas em dificuldade. Ele adorava crianças e tinha um certo apego com prostitutas, ao ponto até, de jogar sacos de moedas em suas chaminés.

Nicolau acabou conhecido como padroeiro das crianças, dos mercadores e dos marinheiros, que levaram sua fama de bonzinho para todos os cantos do Velho Continente. A imagem benevolente do bispo de Myra se fundiu com as tradições do Natal e ele virou o “presenteador” oficial da nova data comemorativa Cristã.

Na Grã-Bretanha, passaram a chamá-lo de Father Christmas. Na França Pére Nöel, na Holanda Sinterklaas. E em Nova York no século 17, Santa Claus. Assim, unindo-se ao emergente capitalismo de séculos seguintes, a tradição da troca de presentes no dia 25 de dezembro ganhou o mundo.

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E esse tal “Espirito de Natal” que nos motiva a dividir o pouco que temos?

Seria uma estratégia comunista contra o capitalismo promovido por Noel e os Cristãos?

Não, é apenas mais uma adaptação da data comemorativa. O “Espírito de Natal” evoluiu do enredo de Charles Dickens, um escritor britânico que viveu no século XIX durante a Revolução Industrial, época em que o número de habitantes tinha saltado de 1 milhão para 2,3 milhões e Londres vivia tempos de miséria e sacrifício.

No conto de Dickens, o velho ricaço “Uncle Scrooge” (referência para a criação do Tio Patinhas) passava seus Natais sozinho desejando assassinar os pobres e assim acabar com a miséria. Mas eis que o velho cruel e ganancioso recebe a visita de 3 espíritos que representam o Natal e lhe ensina que a data é para esquecer as diferenças sociais, abrir o coração e compartilhar as riquezas. Por fim, o pão-duro se transforma num homem generoso.

O conto, logo tornou-se um sucesso e foi adaptado inúmeras vezes. Tudo isso, no fim das contas, se transformou no “Espírito Natalino” que ecoa nas igrejas e na mídia durante essa época do ano inspirando doações e ações sociais.

Agora que você já sabe a verdadeira origem das comemorações do Natal… “bóra comemorar” pois, independente da sua religião, a grande verdade é que essa semana, entre Natal e Ano Novo, deve ser agradável, reflexiva e festiva, pois se encerra um ciclo e inicia um novo.

Feliz Natal e um excelente Ano Novo!
São os votos, estranhos, mais sinceros do Gilsão.

Um comentário sobre “Feliz Natal ou Feliz Solstício?

  1. Gilsão, cara, vc escreve demais. Curto muito sua linha de pensamento. Obrigado pelos ensinamentos com mais esse artigo. Bom demais parceiro. Então, falando nisso, “em comemoração”, essa semana tá bom demais pra tomarmos umas e outras. Que tal? Um forte abraço.

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