O Carnaval e a falsa sensação de ser livre

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Aqui em Novo Horizonte, como esperado, não tivemos nada, nadica, nem um confete sequer foi lançado ao vento. E sabe o que é pior? Muitos comemoraram o “não ter” Carnaval.

Quem geralmente comemora uma lastima dessas são pseudos religiosos, idosos e a galera pós quarenta, já que, “no tempo deles(a)” tinha Carnaval e era bom: Dançaram, beberam, namoraram e fizeram muito barulho na frente das portas alheias. A tradição começou se perder no início dos anos 2000 com a entrada da cúpula oriental na administração publica. E como egoístas que são, “não estão nem aí” se jovens andam se aventurando por outras cidades em busca de lazer… o que importa é só a manutenção da paz, claro, agora que o “bilau não levanta mais” e o “rim parou de filtrar as impurezas”, ficou conveniente venerar a tranquilidade.

Mas a bebedeira já passou e hoje quero mesmo é falar sobre ressaca! E a do Carnaval costuma ser mais moral do que estomacal, mesmo pra quem não gosta de beber, como eu. (cof, cof)

Esse ano fiquei em casa compondo e vendo filmes, porém, foi garimpando pela internet que encontrei algo inusitado em meio ao oceano de babaquices do Facebook (ao qual me incluo) quando me deparei com a emblemática frase: “O medo de ser livre provoca o orgulho em ser escravo”. Cara, que belo título, não? O link me levou para um blog chamado Gentilmente Louco. Imediatamente fui ler o artigo e… BA-TA-TA, além de se aplicar à minha pessoa, também desvendava o nosso velho conceito saudosista de Carnaval. Vou tentar explicar:

“Você alguma vez se perguntou porque faz sempre aquelas mesmas coisas sem gostar?”

Boa pergunta essa do Raul Seixas, não? Melhor ainda foi a resposta de Dostoiévsk que encontrei no mesmo artigo: “As gaiolas são os lugares onde moram as certezas”.

– Pronto, agora eu havia compreendido Raul, Dostoiévsk e o nosso conceito de Carnaval com uma certeza digna de quem sempre viveu dentro de uma gaiola.

“Carnaval é a festa da carne” dizem os evangélicos, e eu até concordo, mas quem criou o Carnaval não foi o Diabo, foram os cristãos. E por motivos óbvios: Abrir uma janela onde não passa uma cabeça idosa.

Analise comigo: após 4 dias de folia desenfreada, esperava-se que o “pecador” estivesse satisfeito e disposto a viver em sua gaiola repleta de certezas e medos até a chegada do próximo Carnaval. Porém, se nessa janela não passava uma cabeça idosa, poderia passar uma cabeça jovem! E alguns não voltariam nunca mais para suas gaiolas. Um valor baixo a ser pago pelos doutrinadores, principalmente se levarmos em conta que num rebanho de 100 cordeiros, apenas 10 sabem que estão presos, desses 10, apenas 5 notaram que são o jantar, e dos 5, somente 2 fugiriam e apenas 1 não voltaria nunca mais.

Aos que ficaram na gaiola: 40 dias de penitencia degustando de saborosas lembranças mundanas dos 4 dias de farra. No resto do ano, celebrariam o orgulho de viver na gaiola.
Mas e aos que fugiram, o que restou? Bom, à eles, apenas a incerteza, o medo da liberdade e a angustia de ter perdido tudo o que nunca tiveram.

A primeira regra do Clube da Luta é: Não se fala sobre o Clube da Luta.
Mas Tyler Durden também nos ensinou que “É apenas depois de perder tudo que somos livres para fazer qualquer coisa” (…) Sendo assim, encerro esse artigo confiante de ter deixado alguém pensativo, como eu fiquei.

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