O POH é o que sobrou de mim, só o resto…

pecado-escondido

Os delírios podem ser musicais, mas as letras são reais.
 
Quando decidi sair de Novo Horizonte, eu ainda era um menino e fui influenciado por um amigo que morava em São Paulo mas passava as férias aqui, na casa da vó que era minha vizinha. Ele me nutria com novidades que não se encontrava por aqui, alias, até hoje ele me nutre, pois é daqueles amigos pra vida toda, sabe?
 
Aos 23 anos eu cumpri meu juramento e realmente fui embora, mas essa música não fala da minha ida e sim da minha volta. “O Poh”, é o que sobrou de mim após eu ter sido despedaçado inúmeras vezes… o poh é o meu pior e pode ser encontrado em migalhas que levam a um caminho que não me orgulho em te-lo traçado.
 
Em comum, quase todos nós traçamos caminhos tortos e temos algo escondido debaixo do tapete. A diferença é que eu não quero mais esconder nada, foda-se, podem falar e pensar o que quiserem de mim, FODA-SE!
 
Dizer essa palavra mágica de forma catedrática entre cusparadas acidentais, vale mais que uma sessão de descarrego.
 
Digo foda-se pra essa tara em conhecer a vida um do outro, existem apenas duas certezas em NH: uma é a morte, a outra é que sempre alguém saberá mais da sua própria vida do que você próprio. Enfrentar isso é perda de tempo, nem é uma exclusividade, toda cidade pequena é assim, mas na musica eu falo exclusivamente de NH, em especial daqueles quem tentam esconder o pó.
 
Uma alusão à cocaína? Talvez, mas a letra tem endereço, ela foi escrita em uma época onde eu fiquei mais ativo em relação a política municipal, passando a fiscalizar e denunciar as falcatruas do prefeito que em cumplicidade com uma administração podre, seguem deitados em cima da montanha de merda que eles mesmos produziram.
 
Sou o pó do político bem aparentado, aquele que esconde atrás de sua cama, sujeiras, que lhe tiram o sono, pois ele não pode limpa-las, isso o entregaria. Esse pó, é o resto daquela sujeira, sou eu, ou o que sobrou de mim. Esse pó, não pode ser jogado fora, pois não sou um politico de ofício, não tenho teto de vidro, ou seja, não pode ser levado ao lixo, o lixeiro não passa aos domingos.
 
Na segunda parte da letra eu falo sobre as mentiras que o tal político deixa escapar sem nem abrir a boca e sobre seu medo em encarar a verdade, sempre fugindo de debates. Mas a letra foi escrita bem antes do Jair Bolsonaro ficar eternizado como o único candidato a fugir dos debates em segundo turno, a letra é de 2016, mas acredito que acabará, inevitavelmente, relacionada ao candidato fujão.
 
O Poh fala sobre política e regresso, não nessa ordem, mas também fala muito sobre a minha frustração em voltar para NH e a preocupação em ser útil.
 
A fase final segue, hoje O Poh foi finalizado, agora faltam apenas 5 musicas.

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