A Carta

a carta

No dia 25 de fevereiro de 2017, eu estava lançando a prévia de “A Carta”, primeira música do projeto “Delírios Musicais”. Um projeto ambicioso e pessoal, eu havia traçado metas para conseguir compor e arranjar 16 músicas, sob uma única regra básica – fazer tudo sozinho.

Arregacei as mangas e influenciado pelo momento delicado que vinha passando após a cirurgia que retirou um tumor maligno do meu corpo, escrevia letras que pareciam brotar em minha mente. Ao invés de 16, compus mais de 20, mas segui a meta e fiz a pré-produção de apenas 16 e mesmo não finalizadas, fiz questão de divulgar uma a uma, principalmente para sentir a reação das pessoas. Muitos foram sinceros e criticaram minha falta de habilidade em cantar, outros me encorajaram para que eu seguisse em frente.

Assim que finalizadas, enviei as “prés” para alguns amigos e pedi que me ajudassem elegendo as 10 melhores que entrariam no projeto final. “A Carta” foi a mais votada e por ser a primeira, me fez acreditar que essa era realmente uma boa canção.

A letra fala sobre minha pessoa, claro, todo álbum fala, mas eu estou disfarçado em um personagem no qual sinto grande empatia. Um paraibano que veio para Novo Horizonte suprir a demanda de cortadores de cana e por ser um pouco mais astuto que seus conterrâneos, logo, fixou residência por aqui e trocou os campos por uma vida autônoma recheada de trambiques e boêmia. Para coroar, apaixonou-se por uma jovem rica com a qual conseguiu se casar, apesar da tradicional família da jovem detesta-lo.

A canção começa com o algoz tentando escrever uma carta de desculpas, ele havia cometido um erro muito grave durante a festa e isso fica subtendido para compreensão alheia, eu tenho uma ideia do que ele fez, mas poderia ter sido muito pior.

Quando eu estava escrevendo essa música, havia acabado de parar de fumar, isso após mais de 20 de hábito, era minha primeira semana sem cigarro, então, nem preciso falar que perdi a capacidade momentânea de concentração. A falta de nicotina me fazia mastigar os beiços.

Por fim, a carta é revelada – Ele (eu), havia partido, voltado para o norte e a carta era para sua amada e trazia promessas de retorno e recado aos credores, em especial para aqueles que ele detestava.

O refrão dessa música é baseado na obra de Noel Rosa, “Último Desejo” ao qual cito na letra.

Essa Carta finalmente acabou de ser escrita, mas o que vem pela frente, ainda é um árduo processo de masterização, cujo o objetivo é tentar deixar todas as faixas sem o aspecto de produção caseira, o que realmente ela é. Mas entre todos os desafios do projeto, um deles, era provar que com empenho e dedicação é possível criar uma obra apreciável, mesmo para os mais exigentes ouvidos.

O lançamento virtual já tem data, dia 25 de fevereiro de 2017, o mesmo dia que nasceu “A Carta” e o Gilson de Lazari.

Enquanto isso, contemplem a obra de Noel Rosa, em especial, com essa sensível cena que encerra o filme “Noel, o poeta da vida” de 2006 onde Wilson das Neves canta “Último Desejo” uma das minhas influencias para A Carta.

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