Zé Natal e o bonsai novorizontino

Hoje quero falar sobre Bonsai, superação, persistência e respeito à natureza. Para quem não sabe, Bonsai, é aquela arvore miniatura típica do Japão. Pode parecer um assunto distante, mas acredite, não é. Essa semana me deparei com uma publicação transformadora em todos os sentidos, protagonizada por Zé Natal, um cidadão novorizontino, que hoje, terá voz no NH News.

zé natal

Olá colegas do mundo do bonsai, especialmente os companheiros do grupo Bonsai Easy, sou José Natal Torsani, tenho 56 anos e moro em Novo Horizonte, interior do Estado de são Paulo. Sou mais conhecido pelos amigos como Zé Natal e sou surdo.
Desde pequeno convivi com a natureza, visto que meu pai plantava roça e morávamos no sitio. Cresci em meio a plantações de café, arroz, feijão, pomares e hortas, plantando toda semente que encontrava e assim, descarregava as energias negativas, cuidando de plantas em vasos.

Comecei na década de 80, com as orquídeas, mas desde pequeno já me dedicava a entalhar madeira, desenhar e modelar argila, sendo que, hoje tenho uma atelier e vivo dos meus trabalhos como escultor.
Como todos, meu primeiro contato com o bonsai foi no filme Karatê Kid. Precisamente no ano de 1996, eu participava da Expo Agropecuária de Fernandópolis, cidade onde eu morava e lá, tinha uma banca de Bonsai, não me lembro exatamente de que região era, só sei que as pessoas eram de Minas Gerais.
Foi o meu primeiro contato com árvores miniaturizadas. Com o passar dos dias, fiz uma troca, esculpi uma placa em madeira em troca de um bonsai no vaso de pedra sabão. Uma mudinha de pinheiro que o “bonsaista“ disse que era para aguar somente uma vez por semana. Como aqui na minha região faz quase 40 graus na sombra, claro que não segui esse conselho, mas mesmo assim a planta sobreviveu apenas uma semana.
Comecei a buscar informações sobre os Bonsais, para poder estudar, mas não encontrei, então, numa viagem me deparei com uma revista na banca da rodoviária, era “O Universo do Bonsai nº 2,” do nosso querido Marcelo Miller, pedi ao meu irmão que entrasse em contato com a editora e consegui adquirir as outras edições.
Comecei estudar e praticar, mesmo sem ferramentas próprias, adaptando as que eu usava nas esculturas, fiz vasos de cimento e usei pias velhas de resina, as quais uso até hoje como vaso de treinamento.

No ano seguinte, meu irmão conseguiu pra mim o livro “Cultivando Bonsai no Brasil,” do Fábio Antakli Noronha, que veio agregar mais conhecimento e diversidades de técnicas.
Nessa época ainda não se tinha acesso à internet, o mundo era outro e as informações não circulavam a velocidade da luz, como é hoje. Uma revista ou livro encontrados eram um achado espetacular e eu os lia e relia, até que decorava cada frase…

Em 2005 tive o prazer de conhecer Eduardo Mizuno e sua mãe D. Junca, que de bom grado me deram valiosas orientações em pouco tempo de conversa. Sou surdo, mas tenho leitura labial e se o interlocutor tiver calma ao falar, consigo entender tudo.
Em 2007 me mudei para São Paulo e posteriormente conheci o Inar dos Santos Mosca, pessoa maravilhosa, onde passei a frequentar seus encontros e aprimorar meu conhecimento.
Sempre tive vontade de fazer cursos avançados, mas devido a surdez e também por questões financeiras, não consegui ainda. Graças ao Eduardo Mizuno, tive o privilégio de conhecer o saudoso mestre Hidaka, que me disse, bem devagar:

– Espere sempre a árvore te pedir o que ela quer ser, você pode querer fazer determinado estilo, mas se não seguir o que “ela quer“, você perde seu tempo.

Minhas plantas são quase todas resgatadas de caçambas e de terrenos em limpeza e continuo praticando, agora, com o auxilio da internet, das pessoas dos grupos de estudo, e com mestres dispostos a passar seus conhecimentos, ficou mais fácil aprender.

Não precisamos gastar, comprando ferramentas caras e plantas difíceis de cultivar, pois improvisar, também é uma arte. Precisamos que os novatos, nesse mundo maravilhoso do bonsai, se dediquem mais ao estudo da arte. Ninguém nasceu sabendo, até hoje eu estudo e pesquiso sobre esculturas, mesmo sendo escultor a mais de 30 anos. Quero me levar na arte e conseguir produzir trabalhos com qualidade e beleza.

Bonsai é arte que se desenvolve com o tempo e muita dedicação. É a arte do crescimento interno e respeito à natureza. Da valorização espiritual e convívio com pessoas do bem.
Agradeço ao Sergio Batalini pela oportunidade de contar minha história com essa arte maravilhosa.

Namastê.

Esse é Zé Natal, um camarada cheio de talentos, mãos habilidosas com a madeira, com as pedras, com as plantas e com a vida. Ele deixou de morar na roça, mas a roça não deixou de morar nele, pois mesmo na cidade, guarda consigo a leveza, a paciência, a humildade e a sinceridade das boas pessoas deste nosso querido Brasil. Estudioso e dedicado, esse artista novorizontino chamado Zé Natal, tem se destacado em todo Estado de São Paulo.
Parabéns e muito obrigado, Zé Natal, por fazer parte da nossa história.

(…)

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Meu nome é Gilson de Lazari e foi um prazer falar de Novo Horizonte com vocês. Até a próxima.

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