Conto – A morte do bandido bom

bandido bom

Tudo começou quando Dani fez 16 anos. Seus pai, fervorosos religiosos, criaram a filha sob regras rígidas. Jamais permitiram que ela usasse saia curta, maquiagens e muito menos deixavam que a filha fosse nas festinhas do colégio.

No dia do seu aniversário, Dani pediu a sua mãe que a deixasse dormir na casa de Luana, sua amiga do colégio. Seu pai estava fora da cidade em um evento do banco ao qual trabalhava como segurança.

A mãe não achou uma boa ideia, pois ela sabia que o pai jamais permitiria. Dani implorou e disse que seu pai não saberia daquilo. A mãe tinha dó, pois lembrava de quando era jovem e sabia o quanto a filha havia sido privada de diversões pelo pai. Então, resolveu deixar a filha dormir na casa da amiga.

Assim que chegou, Dani descobriu que Luana se preparava para ir na balada. Ela disse que não poderia ir junto, pois seu pai a mataria se descobrisse e outra, não tinha se quer trazido roupas. Mas Luana insistiu e emprestou uma saia curta para Dani, aquilo era exitante, pois ela nunca havia vestido uma mini-saia. Luana também maquiou Dani pela primeira vez e as colegas, eufóricas, saíram juntas.

Na entrada do bar, o segurança não pediu a identidade, pois devido a forte maquiagem, realmente pareciam ter seus 20 anos ou mais. Luana tinha um encontro marcado e logo que encontrou seu paquera, deixou Dani sozinha. Assustada, seu olhar de desconfiança entregava a sua ingenuidade. Então, um homem que a observava de longe se aproximou com um sorriso lindo e uma voz rouca se oferecendo para pagar uma dose para ela, que ele mesmo acabou a bebendo toda.

Luana havia desaparecido e já era fim de noite. Mesmo sem saber direito quem era aquele homem, Dani permitiu que ele a levasse embora.

Enquanto dirigia seu carro velho e fazia piadas sem graça, o homem resolveu mudar a rota e parou em uma estrada de terra. Dani ficou assustada, mas ele fez juras de amor e mesmo contra a vontade, conseguiu transar com ela. Mas algo ainda pior aconteceu. A camisinha havia estourada. Dani começou a chorar e disse que se estivesse gravida seu pai a mataria. O homem também ficou assustado e confessou que era casado. Ele mentiu o nome e passou falso número de telefone antes de deixar Dani na casa da amiga e desaparecer.

No dia 3 de dezembro do mesmo ano nasceu João, o pai de Dani havia a expulsado de casa e ela estava morando no fundo da igreja. Sua gestação havia sido complicada e de risco, mas os voluntários que ajudavam, jamais permitiriam que ela fizesse o aborto. Dani quase morreu no parto, mas João nasceu. Ela olhava para o filho em seus braços, mas não conseguia amamenta-lo. Ela havia desenvolvido uma profunda depressão. Sem o leite materno, João ficou doente e Dani o deixou no hospital, virou as costas e desapareceu. Nunca mais se ouviu falar dela.

Agora, João era mais um indigente largado ao SUS. Sem ter pai nem mãe, ele se apegou com a dor. Sem oportunidades e sem saber direito o que era certo ou errado, ele foi crescendo sem nenhum valor.

Já na primeira chance que teve, João roubou alguém e virou bandido bom, aquele que para boa parte da sociedade, era bom mesmo se estivesse morto. Um paradoxo, João realmente não deveria ter nascido, mas nasceu por pressão da sociedade que condenou Dani. Porém, agora essa mesma sociedade que defendeu João quando era um embrião… o queria ver morto!

João foi preso e logo que saiu, na sua segunda oportunidade, usou as técnicas que havia aprendido na cadeia e assaltou um banco. No tiroteio, a polícia atingiu o segurança do banco que caiu no chão agonizando.

Apesar de estar envolvido no mundo do crime, João mantinha um minimo de humanidade. Ele puxou o segurança pelas pernas e o protegeu do tiroteio, mas ele já estava morto. Ao olhar em seu crachá estava escrito: João de Santo Cristo. João ficou em choque, acontece que a única informação que ele tinha sobre sua família é que carregava o mesmo nome do seu avô.

João imediatamente largou a arma e com as mãos para cima saiu pedindo ajuda para o avô. Mas João acabou sendo alvejado por 38 tiros. Ninguém compareceu ao seu enterro.

Autor: Gilson de Lazari

(…)

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Essa Matéria foi publicada no Blog do Gilson de Lazari e na página do Facebook NH News.

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